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VERDADE X SEGREDO


O que dizemos pode mudar nossas relações, nossos caminhos, nos tornar mais ou menos felizes? Quando dizer a verdade e quando calar-se? Aprende-se com o tempo que nem toda verdade deve ser expressada, entrementes, como medir o que deve ou não ser dito?

É notório que há uma diferença entre verdade e opinião, o que as pessoas almejam, habitualmente, é opinião, por isso ao dá-la o que entende-se ser sinceridade, pode ser um julgamento árido, rude e insensível, dado que não existem verdades em opiniões.

Ao dizer a verdade, momentaneamente, a sensação que se tem é de bem-estar, alívio, leveza. O que foi dito, analisado friamente e posteriormente, seria novamente sabido? E o famoso efeito rebordosa? Estamos deveras preparados para os resultados dessa verdade?

A sério, vale a pena dizer a verdade e correr o risco de perder amigos e amores? Digo que, aqueles amigos e amores que se importam realmente conosco e com a nossa opinião não deixarão de ser nossos amigos e amores por causa de palavras ditas inoportuna e inadvertidamente vez ou outra.

E segredo, é salutar tê-los? No filme Pecados Íntimos, as personagens são confrontadas a duas grandes reflexões, a crítica social da vida suburbana norte-americana e a crise das personagens em assumir responsabilidades como se todos sofressem da síndrome de Peter Pan e não quisessem ter crescido nunca, sendo toda a trama, passado e presente, permeadas por segredos íntimos e sórdidos, todavia, é claro, que ninguém pode mudar o passado, mas o futuro pode ser diferente.

Neste ínterim, não se deve pedir que guardem segredo sobre nada ou ninguém, pois se você, proprietário do mesmo, não conseguiu retê-lo, não guardou sigilo, não tem direito de pedi-lo à nenhuma pessoa. Segundo Benjamin Franklin "três pessoas somente podem guardar segredos, se duas delas estiverem mortas."

Há valor em ter segredos? Sim, há, só não podemos ser prisioneiros dos mesmos. Afinal, não somos nada mais, nada menos, do que escolhemos revelar.


Érika Bahia é advogada e pedagoga.
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CASAR VALE A PENA?


Será que o mundo atual, as leis e os costumes sociais retiraram do casamento todo o seu sentido e romantismo? Sou casada há 12 anos e meio e entre namoro e noivado, mais de quatro anos, ou seja, quase duas décadas juntos, o que aprendi durante todo este tempo? Em primeiro lugar, aquela paixão, aquele fogo dos primeiros anos de namoro, passam, e ainda bem, senão não conseguiríamos seguir com a vida, concentrar em coisa alguma. Segundo, mudamos, por dentro e por fora. Mudei sobremaneira, assim como meu marido, posto isto necessitamos nos redescobrir diariamente, o que é excelente.

Quando comecei a namorá-lo não enxergava nenhum defeito, somente as inúmeras qualidades, bem da verdade, o que faltava em mim sobrava nele. Neste ínterim já percorrido meu esposo foi se "humanizando" e eu me redescobrindo com ajuda de terapeutas, amigos, namorado, marido e percebi o quão interessante e virtuosa sou. A partir daí passei a reconhecer os meus próprios méritos, diante disso transformei-me em uma companheira infinitamente melhor. Ele adaptou-se ao novo estilo e foi mudando também.

De toda maneira, nosso relacionamento tem como pilares a verdade e o amor, falo constantemente que jogamos o jogo da verdade e do amor, tudo pode e deve ser dito, tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. As palavras e atitudes precisam e devem ser escolhidas com amor, carinho, zelo e atenção, porque depois de serem proferidas não tem como resgatá-las. Não há pedido de perdão e desculpas que apaguem-nas e volta e meia elas nos assombram. Se não tem nada de salutar para dizerem, não digam. Sejam íntegros, corretos, cumpridores da palavra, respeitadores, pacientes, não cobrem do companheiro aquilo que nem você consegue fazer e cumprir.

Somos bem-humorados, brincalhões, gostamos da nossa companhia, digo que somos três, ele, eu e nós dois. Independente do que esteja acontecendo à nossa volta, brincamos, nos divertimos, somos leves. É fundamental também que ambos sejam independentes emocionalmente e financeiramente, por exemplo, se nos separarmos, temos condições financeiras para sobrevivermos. Não precisar financeiramente dele e nem ele de mim. Isso meus amigos, não tem preço.

Logo, qual o segredo de permanecemos tanto tempo juntos e como superamos algumas crises que quase nos levaram ao divórcio? Não mentirei, ficar casado não é simples, não obstante estamos casados porque nos dispomos, necessita-se querer e querer muito.

Gostamos do casal que construímos ao longo destes anos, juntos somos melhores. É uma honra tê-lo ao meu lado, o carinho, admiração e respeito que temos é mútuo. Ele é parte integrante da minha história, torcemos e lutamos pela nossa felicidade, realizações e sucesso. Além do mais, professamos a mesma fé, os mesmos valores, etc..

A essência da pessoa, o que ela é, não mudará. Jamais pensem que depois que nos casarmos ele/ela mudarão. Se o companheiro detém algum defeito que você não tolera, isso somente piorará com o tempo, sinto muito, melhor trocar de parceiro. O amor só pode ser eterno à medida que vivermos a conquista do cônjuge todos os dias, redescobrindo o motivo para continuar com respeito e alegria de estar um diante do outro.

Então qual a resposta para a pergunta-título? Refletindo minhas experiências, posso dizer que sim, casar vale a pena, sabendo que estamos juntos todo esse tempo pois estamos casados para servir à felicidade do outro.


Érika Bahia é advogada e pedagoga.
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